A censura e a desinformação na Central de Flagrantes 1

Tempos difíceis para a imprensa que cobre a área policial na Central de Flagrantes 1, localizada no bairro do Pinheiro, em Maceió, Alagoas, Brasil… A Censura bateu o portão, literalmente, na cara da imprensa, por ordem da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Alagoas.

Os motivos? quem sabe lá. Tudo na segurança é feito ao bel prazer, ou ao disse me disse… desinformados, infelizmente…

A direção da Polícia Civil de Alagoas afirmou que tomou a atitude para preservar os agentes de segurança pública que lá trabalham, para evitar processos, já que a Defensoria Pública de Alagoas, através do defensor público, Othoniel Pinheiro Neto, entrou na Justiça, impedindo a exposição pública de presos. Decisão acatada pelo Juíz da 17 ª da Comarca de Maceió, Alberto Jorge Correia de Barros Lima.

Vejamos o que disse o juiz, em sua decisão: “isso não significa, porém, que, nos limites legais, não seja possível a divulgação de seu nome, imagem, características físicas etc. Não é possível, inclusive, limitar a atuação da imprensa nestes casos, o que constituiria censura, vedada, também, pela Constituição”.

Tudo certo então? Não. O competente defensor público, Othoniel Pinheiro Neto, foi convidado pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado de Alagoas para proferir uma palestra, esclarecendo dúvidas de jornalista e de um único delegado que participou do evento.

Evento produtivo e sensato. Othoniel Pinheiro, explicou suas razões e motivos. Esclareceu sobre as punições. Os agentes públicos, estavam proibidos de expor os presos, mas no percurso da viatura até a entrada nas delegacias, em passeio público, nada impede a imprensa de registrar o fato.

Agora, dentro da delegacia ou na mala da viatura, só se o detendo der uma declaração de que concorda e é de livre vontade de dar entrevistas.

Quando os presos estão sob a custódia do Estado, dentro da mala da viatura ou de delegacias, os agentes públicos podem ser punidos se as imagens que os identifique, VEJAM BEM, que os identifiquem, sejam divulgadas.

Imagens de costas, sem mostrar o rosto ou marcas que os reconheça, estão liberadas.

Mas na Central de Flagrantes 1, nada disso pode mais!!! Não, não, não, mil vezes não!!! é pecado, e mortal. Para os internautas terem uma ideia, nem sequer podemos mais fazer entrevistas na sala de triagem, com os policias que realizaram as prisões. A imprensa agora é obrigada a ficar no batente da delegacia, a esperar que o policial termine seu depoimento e venha repassar algumas informações.

Sequer podemos gravar os objetos que foram pegos com os acusados: drogas, armas, munições, fruto de roubo, etc…

Ressaltamos porém que nem todos os delegados agem assim, pelo menos um é exceção e sabe o comprometimento dos profissionais que cobrem a área de segurança. Profissionais que, 80 % deles participaram da palestra e sabem os limites pra evitar que os profissionais de segurança sejam prejudicados. As TVs por exemplo, desfocam os rostos dos presos.

Na verdade o que falta por parte da Direção Geral da Polícia Civil é boa vontade com os profissionais de imprensa. Uma sugestão: chamem o doutor Othoniel Pinheiro para uma palestra também, procurem tirar dúvidas…

Mais uma sugestão: quando o detento chegar, caso ele não queira dar entrevista, o coloquem em outra sala e deixem a imprensa trabalhar, gravar com os policiais e mostrar os materiais apreendidos… fechar o portão apenas demonstra a inabilidade de trabalhar em parceria com a imprensa.